Provavelmente o blog mais (des)interessante que conheceste ... Sobre tudo, sobre nada, sobre ti, sobre nós, sobre ... TUDO!!

 

Ontem enquanto lia a "Única", descobri mais uma pessoa que merece toda a minha admiração e consideração: Kim Phuc, a "rapariga do Napalm", que ficou "famosa" pelas piores razões, pois é a rapariga da foto em cima, que sofreu queimaduras por todo o corpo num ataque dos E.U.A. à sua aldeia (Trang Bang) durante a guerra do Vietname em 1972.

 

O seu relato é impressionante e é aqui que para mim existe o reconhecimento e mérito: ela nunca passa qualquer imagem de "coitadinha", apesar de tudo o que lhe aconteceu neste dia ser desumano. Kim perdeu (em minutos) os dois irmãos, a mãe, o pai, três primos, a avó, a tia e viu ainda morrer 4 soldados, completamente queimados devido ao Napalm (substância viscosa, verde e inflamável com o qual a sua aldeia tinha sido bombardeada). Muitos deles morreram a tentar salvar os outros, o que acabou por ser em vão.

 

Diz que a sua "sorte" foi ter roupas finas e de fraca qualidade que num ápice arderam e se desfizeram, pois a maior parte dos soldados que viu morrer, recorda que devido à farda, acabaram por se "incendiar" e não conseguir fazer nada para extinguir as chamas.
Agora falar em "sorte" é também relativo, pois esteve no Hospital durante 14 meses, fez 17 operações plásticas e diz que pediu muitas vezes para morrer, já que as dores que sentia diariamente eram insuportáveis e faziam-na muitas das vezes desmaiar.
Estamos a falar em 1972 e no Vietname, onde de certeza as condições dos Hospitais e até os próprios conhecimentos e tratamentos médicos seriam limitadíssimos, por isso o que Kim sofreu deve ser algo indiscritível.

 

Esta foto de Nick Ut, acabou por lhe valer um Pulitzer no ano seguinte, mas Nick nunca perdeu o contacto de Kim e segundo esta, foi ele que muito mais tarde lhe prestou todo o tipo de auxílio e de ajuda financeira que necessitou para puder começar uma vida.

Presentemente tornou-se mensageira da Boa Vontade da Unesco, vive em Toronto - Canadá e tem dois filhos. (um deles este bébé incrivelmente giro)


O seu discurso é fascinante e para mim o mais excepcional é o facto de mesmo depois de tudo isto, ter acreditado sempre que podia ser feliz e que podia um dia ainda ter vida...
Termina a entrevista com uma frase elucidativa de como se sente e qual o seu estado de espírito depois de tudo:

 

"Descobri o céu...na terra!"

 

António

 

Tem ar de ter sido escrido por ... oAntónioEaJoana às 09:35 |